Aldeia Velha ganhou vida nova

Aldeia Velha ganhou vida nova

A escola Secundária Pinheiro e Rosa tem investido na formação dos seus alunos ao nível do Teatro e da expressão dramática. Não só o Clube de Teatro Mágico, em funções de forma ininterrupta desde há 27 anos, mas também o Curso Profissional do Espectáculo, que vigorou na escola ao longo de seis anos, e a opção Teatro, do 12º ano transversal a todo o ensino regular desde há 3 anos. Toda esta sementeira deu os seus frutos, uma vez que na produção Aldeia Velha estão presentes no elenco cinco antigas alunas provenientes destas formações, coordenadas pelos professores Ana Cristina Oliveira e António Gambóias.

Aldeia Velha foi um trabalho da Companhia DoisMaisUm, produzido pela Associação Cultural Música XXI, em parceria com o Agrupamento de Escolas Pinheiro e Rosa. Este projeto experiencia-se em torno da ideia de museu vivo, posto que apresenta um espectáculo no qual são retratados modos de vida, afetos, medos e questionamentos políticos a partir de um enquadramento sociológico da região algarvia em plena ditadura.

O Museu Regional do Algarve tem uma sala dedicada aos modos de viver e de fazer das populações rurais do Algarve, a partir da recriação pormenorizada da casa tradicional de Olhão. O Museu construiu cinco divisórias em alvenaria que apresentam o quarto tradicional, a sala comum com a grande lareira onde se cozinhava, a taberna, com inúmeros objetos de meados do século XX, uma casa do forno e a casa das alfaias agrícolas. É no interior dessas divisões que decorre o espectáculo Aldeia Velha, a partir da peça de teatro homónima. As personagens recriaram diálogos da época a partir de uma tradição oral registada nas memórias afetivas do autor.

A narrativa desenvolve-se em torno da venda do taberneiro, que fica no largo, verdadeiro centro de encontro de todas as personagens: o contrabandista, as raparigas que ainda lavam a roupa no rio, a mulher que se mudou para um arraial da pesca do atum em busca de melhores condições, a mulher do taberneiro que lê as cartas a quem não sabe ler, a velha senhora, que acompanha, sempre com palavras sábias, a vida e as mutações da aldeia. O final devolve uma nota de esperança às aldeias abandonadas, através do seu resgate como aldeias ecológicas e pedagógicas. Para o espectador ficará viva a memória de um texto duro sem deixar de ser cativante, que enuncia a vida das populações do interior antes de terem sido votadas ao abandono.

Aldeia Velha tem a interpretação de Ana Cristina Oliveira, Ana Isabel Baptista, Bruno Filipe, Catarina Silva, Joana Coelho, Vasco Coelho e Tatiana Cabral. A assistência de encenação foi de Luna Ruivo.

Este espectáculo foi apoiado pela Direção Regional da Cultura do Algarve e pela Câmara Municipal de Faro. Estará em cena nos dias 31 de outubro, 3, e 5 de novembro às 21h00 e 6 de novembro às 18h00, sempre no Museu Regional do Algarve.